ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O PROCESSO DE CURADORIA DO 1º FESTIVAL DE TEATRO NEGRO ONLINE DA UFMG

Atualizado: Nov 6

Por Aline Vila Real, Rikelle Ribeiro e Tatá Santana.


Agradecemos o convite e celebramos a importância da iniciativa do Teatro Universitário em propor a realização do Primeiro Festival de Teatro Negro Online da UFMG. Acreditamos que a realização do Festival mobiliza pessoas, projetos e se torna alternativa potente frente ao isolamento que o atual contexto de pandemia nos impõe. O Festival ganha ainda mais relevância neste ano marcado também pelas inúmeras manifestações de revolta do povo preto que ocupou as ruas contra o projeto de extermínio que insiste em se atualizar.


Projeto Gráfico: Brenda Lobo e Dê Jota


A chamada da Universidade oferece bolsas destinadas à difusão de obras artísticas (inéditas ou não) na linguagem do Teatro e da Performance que tenham a temática negra como principal elemento, em vídeo finalizado, para divulgação em plataformas digitais de hospedagem aberta.


A curadoria, convidada para estudar as propostas inscritas por estudantes universitária(o)s negra(o)s de níveis: técnico, graduação e pós-graduação de todas as áreas de conhecimento da UFMG, organizou o seu pensamento a partir das poéticas apresentadas, considerando as subjetividades pontuadas nas vinte inscrições.


A partir dessa proposta do festival, a equipe de curadoria discutiu sobre temática negra, teatro, performance e audiovisual, com interesse em criar uma base para acolher os trabalhos e também para construir uma relação coletiva entre si. Esse processo foi espaço de continuidade de debates que rondam muitos de nós desde o início da pandemia. O teatro negro, um universo de possibilidades, criações e experimentações da linguagem teatral se apresenta aqui no Festival de Teatro Online através de cenas curtas e espetáculos, em vídeo.

Todas as cenas e espetáculos selecionados serão exibidos de 09 a 29 de novembro no canal do YouTube do Teatro Universitário. 

A diversidade nos formatos das apresentações enriquece o processo de curadoria, já fortemente alimentado pelo caráter de pesquisa apresentado pela Universidade. Serão apresentados espetáculos e cenas em plataformas online, a partir de um registro gravado anteriormente a esse chamado ou desenvolvidos para participar do festival e ainda trabalhos criados a partir das ferramentas virtuais.


Compõe a mostra das cenas:

  • A Silhueta de Maria Efigênia, de Ana Elisa Gonçalves;

  • Alodê Iara, de Júlia Tizumba;

  • Aparecida, de Renata Paz;

  • Baixa Visão, de Raniele Barbosa;

  • Cordel Ruim, de Thalis Vilas Dama;

  • Descesso, de Jéssica Pierina;

  • Ebó, de Anderson Ferreira;

  • Fonte, de Ariane Maria;

  • Neguinha(o) Prefeita(o), de Larissa Ferreira Santana;

  • O peso nas costas de minha mãe, de Kelly Spínola;

  • Quem ensinou a amar, de Felipe Oliveira; e

  • Sankofa, de Dara Ayê Borges.


A mostra dos espetáculos é composta por três trabalhos: A Sombra da Goiabeira, de Marcus Carvalho; E se todos se chamassem Carmem?, de Anair Patrícia e Abismo, de Amora Tito Ribeiro. Estes artistas integram dois grupos: Teatro Negro e Atitude, coletivo que tem 26 anos de trajetória e é uma importante referência na história do teatro mineiro, e Breve Cia, coletivo criado em 2016 e, que desde então, vem produzindo trabalhos de grande relevância para a cidade de Belo Horizonte.


[1] Espetáculo 'ABismo' - Foto de Jotapê Mendes;

[2] Espetáculo 'À Sombra da Goiabeira' - Foto de Pablo Bernardo;

[3] Espetáculo 'E se todas se chamassem Carmem?' - Foto de Pablo Bernardo.



Mais uma vez agradecemos o convite e reiteramos a importância dessa iniciativa que também se conecta a outras funções que a arte exerce, a de não se furtar de seu caráter político e social. Esse festival é também sobre apoio, comunidade e criação de futuro presente. Que essa primeira edição inaugure uma longa trajetória.


Axé.

Aline Vila Real, Rikelle Ribeiro e Tatá Santana.

Além da exibição online das cenas e dos espetáculos, o Festival contará com publicação de artigos científicos, textos dramáticos e realização de oficina.


O Festival de Teatro Negro da UFMG é uma idealização da professora Denise Pedron (TU), que divide a coordenação com os professores Marcos Alexandre (FALE) e Rogério Lopes (TU) e a produção executiva é do bolsista de extensão Lucas Prado. Uma realização do projeto de extensão "TU Convida" do Teatro Universitário da UFMG.


Acompanhe a programação completa nas redes sociais do Teatro Universitário, Instagram e Facebook.


E, não deixe de conferir!

Algumas artistas que compõem a programação do Festival já publicaram no Blog Mistura:


O teatro negro como modo de subverter os processos de silenciamento e de invisibilização

Por Anair Patrícia - orientação de Soraya Martins


A máscara branca como dispositivo crítico no teatro negro

Por Rikelle Ribeiro


"O que eu mais tenho é história pra contar"

Por Ariane Maria e Nayara Leite


Aos que ficam: é preciso seguir

Por Jéssica Pierina


Que sabor a palavra tem?

Por Raniele Barbosa


Figurino e/ou fantasia? A relação entre teatro e escola de samba em "abre alas"

Por Anderson Ferreira


Aline Vila Real trabalha em gestão cultural, curadoria e produção artística. Formada em Comunicação Social com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG. Integrou, por dez anos, o grupo teatral Espanca!, como coordenadora de produção e diretora do espetáculo PassAarão (2017). A companhia criou 8 peças de teatro, se

apresentando em todas as regiões do país, além de Alemanha, Chile, Colômbia e Uruguai. Coordenou também o Teatro Espanca!, que recebe apresentações de espetáculos e eventos de arte contemporânea no hipercentro de Belo Horizonte e sedia projetos como a Segunda Preta, espaço permanente de realização de projetos cênicos de artistas e produtores negros da cidade. É uma das idealizadoras e curadoras da Polifônica Negra - uma mostra de processos criativos e debates acerca da Arte Negra. Entre outros coletivos e projetos que trabalhou estão o Coletivo Negras Autoras, Cia. Será Quê? de Dança, dirigida pelo bailarino Rui Moreira, banda Black Sonora e o MC Matéria Prima. Em

novembro de 2019, integrou a curadoria da décima edição do FAN-BH, festival internacional

de arte negra que acontece há 24 anos em Belo Horizonte. Atualmente é diretora de

Promoção das Artes na Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte.



Rikelle Ribeiro é atriz formada pelo Teatro Universitário da UFMG, licenciada em teatro pela

UFMG e mestre em educação pela mesma instituição. Como docente, atua como

professora de teatro no Programa Arte da Saúde e no CERSAM AD- Pampulha/Noroeste,

na qual o seu trabalho está voltado para o brincar e intervenção urbana. É pesquisadora de

uma educação pluriversal, e como diretora trabalha a partir do teatro negro, intervenção

urbana, filosofia africana e o brincar. 

Tatá Santana é diretor musical, compositor de trilhas sonoras para o teatro,

ator, preparador vocal e arte-educador. Formou-se em Bacharelado em

Interpretação Teatral pela UFMG em 2005. Com a maioria dos trabalhos realizados em Minas Gerais, atuou também, junto a produções de outros estados como, Mato Grosso do Sul e Ceará. Dentre os trabalhos mais recentes destacam-se, a criação da trilha sonora do

espetáculo “Errantes”, recém estreado pelo Grupo Teatro Público, a direção

musical do espetáculo de formatura do Teatro Universitário da UFMG em 2019

e a preparação vocal e criação da trilha sonora do espetáculo “Ainda Vivas” do

Grupo Nóis de Teatro, de Fortaleza/CE.

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