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POR COMPANHIA TEATO DO AMANHÃ


A companhia artística Teato do Amanhã atua em Belo Horizonte, desenvolvendo trabalhos na cidade, fomentando a cena cultural e realizando pesquisas nas diversas manifestações artísticas que apresentam o corpo como suporte, apresentando o aquiagora como base da dramaturgia ligada na vida. Além da concepção de espetáculos, de cenas de teatro e de performances, a companhia é mantenedora das Residências Emtranse e Terra, Moradia e Arte.


Apresentação de “meia nove abaixo do equador”, 2017 - ft: perfura ateliê de performance


Fundada por Jonata Vieira e Gabriel Mendes em 5 de janeiro de 2017, a companhia mantém uma intensa pesquisa de registro, propondo uma forma ampliada para a captura do momento presente, construindo novas possibilidades por meio da fotografia, do desenho, da escrita e do vídeo, apresentando um robusto acervo dos processos criativos registrados ao longo dos quase 4 anos de existência. Parte desse registro foi feito a partir da gravação das residências e de ensaios e espetáculos, como Banheirão (2018-2019) e Entre Parentes, o qual iria estrear em março de 2020, mas foi adiado devido à pandemia da COVID-19.


“Banheirão" surgiu a partir de uma intensa pesquisa iniciada em 2017 sobre cinemas antigos, indústria pornográfica, cafetinagem e pegação em espaços coletivos. A construção desse espetáculo foi extremamente importante para o amadurecimento da companhia.


No vídeo: testando a luz do espetáculo banheirão horas antes de instaurar a cena em abril de 2019 no teatro 171.


A partir das experiências adquiridas com Banheirão, nasce "Cinemão", nova dramaturgia fruto desse mágico universo. A microcena de Cinemão foi aprovada no edital Cena Espetáculo do Galpão Cine Horto 2020, cuja data de apresentação segue suspensa devido ao cenário de isolamento social.


Elenco de Banheirão temporada 2019, no teatro 171


Em paralelo à construção de espetáculos, o Teato do Amanhã mantém, desde 2017, a Emtranse, residência em “artes do corpo”, que propõe estimular os encontros entre artistas, pessoas observadoras e público interessado, em estrutura de ateliê destinada ao diálogo, ao compartilhamento de processos e à experimentação artística.


Tendo passado pelo CRJ - Centro de Referência da Juventude, Praça da Estação e Casa Rosa de Marte, em abril de 2020 seria realizada a 4ª edição da Emtranse, com patrocínio do edital Zona Cultural da Praça da Estação. Também seria realizada a residência Terra, Moradia e Arte no Centro Cultural Vila Santa Rita, e nas ocupações Eliana Silva e Paulo Freire, como parte do edital cultural Descentra. Ambos os projetos foram paralisados.


Slam na residência “emtranse edição karnal”, 2018 - ft: Jonata Vieira


A produção de imagens a partir do Ato é base importante do nosso trabalho. Sintetizar o momento vivido de forma coletiva por meio do registro é um desafio, são muitas questões técnicas da tecnologia que nos atravessam a todo momento, mas, quando incorporadas e assumidas como órgão do corpo da companhia, aos poucos conseguimos naturalizar, compreendendo por inteiro sua importância e necessidade em tempos de big brother da vida contemporânea.


Nesse contexto, a realização dos registros audiovisuais também se faz por meio do corpo, da respiração e do ritmo falho de quem a executa. A pessoa câmera, que era uma proposta de ferramenta/dispositivo para a peça Banheirão, não fez parte das apresentações, mas se fortaleceu, tornando-se laboratório e incorporando-se nos processos criativos da companhia. A câmera sempre subjetiva, afetiva e curiosa, que não se preocupa com enquadramentos perfeitos, e também se ancora no aquiagora, dilatando ou dinamizando o tempo o tanto que for preciso no ato específico. A lente da câmera é mais uma persona que respira junto, pulsa e estremece ao ser confrontada.


A cada trabalho formamos grupos diversos, e acreditamos na potencialidade dessas corpas na criação e no desenvolvimento artístico. A companhia é composta por Gabriel Mendes, Hyu Oliveira, João Vitor Mendes, Jonata Vieira, Lorrayne Antonielle, Nayara Leite, Ndpcon, Sol Markes e toda a rede Teato de colaboradores, em diversas áreas artísticas. Juntes somamos experiências e vivências de diferentes territórios de Belo Horizonte, região metropolitana e outras cidades do interior de Minas Gerais.

Somos uma companhia de atuadores, artistas ligades na vida, na presença, no ato radical da criação. Seguir as orientações da OMS, paralisar a estreia de Entre Parentes, novo trabalho cênico da companhia, e adiar a 4ª edição da residência Emtranse, não foram decisões fáceis, nos pegou em cheio. Processos de 6, 8, 10 meses foram colocados num amanhã ainda incerto e duvidoso. Nos reviramos para dentro e, com base em nossa rica conexão nas redes, desejamos aprofundar nelas, criando três importantes programas de entrevistas, “teato ao vivo”, “atravessadas pela pandemia” e “escolas de arte em foco”.


Ensaio da peça de “entre parentes”, 2020 - ft: Gabriel Mendes


Começamos pelo “teato ao vivo”, lá no início das medidas de distanciamento social, com o objetivo de ter um bate papo aberto com artistas que admiramos e acompanhamos e de dar visibilidade para novas vozes nas discussões sobre arte, cultura e sociedade. “atravessadas pela pandemia” nasce da necessidade de criar diálogos com um foco maior nos atravessamentos do presente, discutindo estratégias de sobrevivência e ação. “escolas de arte em foco” vem da comunicação da companhia com as escolas de arte no país, bem como com seus pensadores e educadores.


Até aqui, foram 19 entrevistas, com diferentes artistas/parceires de Minas Gerais, da Bahia e de São Paulo. Firmamos o nosso ponto na encruzilhada das plataformas digitais e nos conectamos em nosso público, que agora não está dividindo o mesmo chão sagrado conosco, mas cada uma em seu território está contribuindo para um fazer coletivo, pois falar sobre é também fazer, um outro fazer, mas que tem suas potencialidades nesse grande Ato tecnologicamente surpreendente. Para o segundo semestre de 2020, estrearemos aos sábados de Setembro um novo programa, com novas entrevistas, abordando assuntos urgentes para a cultura brasileira.


De modo Ao Vivo, estamos desafiando a estrutura precária que nos foi imposta, sem incentivo para a manutenção da companhia em tempos de pandemia. Seguimos criando novos caminhos, refletindo sobre o passado, agindo no presente, para a partir de nossas ações, desejar um novo amanhã, que não venha ser normal, mas sim verdadeiro.


(Acompanhe o instagram da companhia: @teatodoamanha)



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