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RELEMBRE AS EDIÇÕES PASSADAS DA MOSTRATU:

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Edição de 2013

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Edição de 2018

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Edição de 2019

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Edição de 2020

Edição de 2021

Imagina um evento que fomenta a criação artística, possibilitando a apresentação de experimentos cênicos numa atmosfera de espetáculo, e que além disso, viabiliza a experiência do trabalho nos bastidores. Uma vivência imersiva assim existe e se chama MOSTRATU, a mostra de cenas curtas do Teatro Universitário. 

 

Desde 2013 o evento vem sendo desenvolvido na instituição, com o objetivo de abrir espaço aos impulsos criativos de estudantes. O incentivo à produção artística para além do que é estudado em sala de aula configura-se como principal mecanismo na busca pela autonomia de estudantes-artistas, bem como para a ampliação da percepção a respeito da estrutura técnica que envolve os projetos cênicos.

 

Cada vez mais e, em decorrência da pandemia do Covid-19, uma realidade que já se apresentava ficou ainda mais escancarada: a pessoa-artista carece ter entendimento nos vários campos do conhecimento, desde montagem da cena, cenário, figurino, maquiagem, iluminação, filmagem, até escrita de projetos para editais e chamadas de financiamento, dentre tantas outras tarefas.

 

Muito mais que habilidades específicas e sensíveis, inerentes ao trabalho artístico, o jogo de cintura para lidar com o business torna-se cada vez mais urgente.

 

Este atual modo de se relacionar com a arte, sendo uma pessoa trabalhadora da cultura, diz muito a respeito das políticas públicas de fomento, manutenção e salvaguarda do setor. A reflexão que se faz é o quão precarizadas se tornam as dinâmicas de trabalho quando não se dispõe de recursos suficientes que remunere dignamente as pessoas trabalhadoras envolvidas em cada etapa de um projeto e o que essa situação provoca a longo prazo.

 

Por outro lado, a atenção distribuída entre várias frentes de trabalho também pode contribuir para o desenvolvimento de outras habilidades. É neste sentido que a ampliação da percepção a respeito da estrutura técnica que envolve os projetos cênicos, se faz papel de grande importância na mostra. Confiando que a mudança e amadurecimento cultural/político se dão a partir da educação, as discussões relativas ao tema são sempre pautas de palestras, rodas de conversa e oficinas dentro da programação da MOSTRATU. 

 

Da mesma forma, a organização, sendo de responsabilidade de estudantes - da pré a pós-produção, propicia uma experiência empírica que simula a organização de um evento fora do controlado ambiente escolar. Na Mostra, por maior que seja o protagonismo estudantil, sempre há, em algum momento, o direcionamento de alguma pessoa coordenadora, o que torna a experiência muito mais segura e confortável para quem está começando. 

 

Apesar de ter seu início marcado há nove anos, a MOSTRATU é relativamente recente. A segunda edição aconteceu apenas em 2018, e desde então, tem sido realizada anualmente. Em 2020 e 2021 as edições aconteceram de modo online, por meio de plataformas digitais. E em 2022 o evento comemora sua sexta edição, com retorno presencial. 


Caso queira saber mais a respeito do histórico deste evento, confira a matéria “O que a MOSTRA mostra? (misturateatro.com)”, disponível aqui no Blog Mistura. Não deixe de relembrar, nas galerias acima, as edições anteriores. A seguir confira o relato de algumas pessoas estudantes que participaram dos eventos nas edições anteriores, estes também ajudam a ter uma melhor percepção a respeito da importância e dinâmica da mostra.

DEPOIMENTOS

Anne Martins: 2020 e 2021 

Ainda em contexto da pandemia, em setembro de 2020 realizo a vídeo arte “corpo é casca e miolo” que foi uma ocupação virtual na minha rede social. Em outubro envio meu trabalho para a MOSTRATU onde é a primeira vez que eu participo de uma mostra externa com um trabalho solo.

Em 2021, com muita alegria, segurança e disposição, volto à mostra participando de dois coletivos. Utilizando de TELAtralidades com o “Corre Coletivo” o experimento cênico “Exercícios para dias estranhos” e o filme “Boa parte de mim vai embora” concepção de Massuelen Cristina e produção coletivo Corporeidade. 

A MOSTRATU por ser uma mostra criada por estudantes e a forma como é gerida me dá uma sensação de que vai dar certo, de que não tem nada de errado com o meu trabalho, cria-se um lugar leve e de confiança. Ver estudantes na idealização da mostra é se ver possível de estar. É sobre ter coragem de dizer sim e de expor a sua arte. Precisamos colocar como lembrete que Arte não precisa de uma corpa-criadora com tempo de vivência na cena artística para ser validada como arte. 

Um Salve para todes da equipe ATU - A Teatra Universitária. Viva a MOSTRATU! É bonito ver jovens estudantes empenhados em criar um ambiente mais leve para expormos arte, que é o nosso combustível para dias estranhos. Essa inconstância de ser e estar. Força para nós, pois boa parte de mim vai embora.

 

Hyu: 2019 e 2021 

Tive a oportunidade de estar na MOSTRATU em 2019, presencialmente e com trabalhos em grupo, e em 2021, virtualmente e sozinho. São momentos completamente diferentes e que geram desafios distintos. A falta de contato com outras pessoas me levou para um campo de criação muito mais introspectivo. Ao mesmo tempo que faz falta ter o olhar do outro na criação, também é bom estar completamente envolvido no processo, buscando formas de executar minha visão. Sinto saudades principalmente do contato com o público e de entender como as pessoas recebem a cena. Nas redes sociais nossa comunicação se restringe muito a comentários rasos e números de curtidas. Por fim, é muito bom ver tantos trabalhos audiovisuais interessantes de tantos novos artistas. Penso que essa é uma área com muito potencial para atores e técnicos e que o TU e a Mostra devem continuar investindo. Tenho muito a agradecer a toda a equipe da MOSTRATU por construir um evento gostoso de participar.

Hyu

Gabriela Fernanda: 2020 e 2021 

Em meio às teorias dos estudos teatrais, fui de encontro à frase “A voz é o tato à distância". Durante o período de isolamento social e Ensino Remoto Emergencial, pude expressar a minha voz, além de ouvir e sentir tantas outras por meio das duas edições virtuais da MOSTRATU. Propondo validar a arte da presença no campo da virtualidade, a mostra dinamiza o fazer artístico rompendo com inúmeras distâncias que a pandemia nos provoca.

Participar da mostra com criações advindas de reflexões e aprendizados frutos do contexto pandêmico, representa para mim um movimento de resistência, manifesto e, sobretudo, como estratégia de sobrevivência teatral diante do atual cenário político que é tão desfavorável para o campo do trabalho e desenvolvimento artístico cultural.

Chama-me atenção a potencialidade estética, crítica e reflexiva das inúmeras produções audiovisuais exibidas na mostra, que além de fomentar participações em edições futuras e estimular a atividade teatral; demonstram o esforço criativo, autônomo e independente de cada artista diante das poucas possibilidades dadas pelo contexto pandêmico. A MOSTRATU online atuou como veículo facilitador de interações e escutas sensíveis do que é comum, dando voz e espaço aos discursos pulsantes na formação de atores e atrizes estudantes para além do Teatro Universitário da cidade de Belo Horizonte.

Sadallo: 2020 e 2021 

A primeira vez que me inscrevi na MOSTRATU foi em 2019, em sua última edição presencial antes da pandemia. Era meu primeiro ano no TU, bateu aquela insegurança e desisti de me apresentar. Estive lá e foi tudo lindo! Assistindo às colegas em cena, senti aquele arrependimento. 

Em 2020, durante a pandemia, decidi fazer uma cena na sala da minha casa com transmissão ao vivo. Por quê? Tava com saudade da adrenalina, do frio na barriga. Foi muito maluco ter que se preocupar com texto, figurino, cenografia, técnica, atuação e o sempre presente risco do Teatro. Ainda bem que eu estava muito bem acompanhado pelo Arthur Barbosa e deu tudo certo.

Agora em 2021, na 5ª edição, me propus a participar da organização colaborando nas revisões de texto e produzindo a atividade de formação. Foi uma oportunidade ímpar me envolver na realização da oficina “Elaboração de Projetos para o Desenvolvimento de Agendas – Por uma escrita cidadã”, ministrada pela Daniele Sampaio (se ainda não a conhece, corre pra conhecer!). Graças ao apoio da DAC, a divulgação foi ampla, as vagas foram preenchidas rapidamente e, ao final, tivemos feedbacks cheios de elogios e satisfação. A MOSTRATU e estudantes do TU mostraram mais uma vez que resistem! Obrigado a todas <3